A virtualização das funções de rede chega ao Brasil

A virtualização das funções de rede chega ao Brasil

Enquanto os órgãos mundiais de padronização aceleram seus esforços para obter normas e padrões para o ecossistema NFV (Network Functions Virtualization ), as indústrias não perdem tempo e começam a apresentar a solução para seus clientes. O recado que levam é o de que algumas funções da rede já podem ser virtualizadas, há tecnologia e produtos disponíveis. Se tiverem sucesso no ritmo que querem estabelecer para esse mercado, o NFV poderá se tornar uma realidade antes mesmo da proposta SDN (Software Defined Networking) decolar.

A virtualização de funções de rede chega em um momento no qual os provedores de serviço precisam de novas soluções para atender ao crescimento exponencial na demanda de suas infraestruturas que não passem unicamente por investimentos em expansões. “A virtualização proporciona à operadora uma melhor gestão de custos e muito mais flexibilidade para suprir as demandas de novos serviços rapidamente”, observou André Pinho, diretor da HP Enterprise Services.

O NFV é um conceito de arquitetura de rede que utiliza as técnicas relacionadas à virtualização de TI. Ela trabalha com a substituição de hardware especializado por máquinas virtuais que podem executar processos diferentes sobre servidores de alta capacidade, switches e armazenamento. Além disso, também operam sobre infraestrutura na nuvem. Segundo o IDC, o NFV, ao lado do SDN, irá revolucionar a operação das telecomunicações nos próximos anos. Mas também deverá chegar aos bancos, varejo e outros segmentos. Conforme a pesquisa da SNS Research, os modelos NFV e SDN vão evitar gastos de US$ 32 bilhões em redes físicas até 2020. A consultoria prevê que o mercado mundial de NFV expanda dos atuais US$ 181 milhões para cerca de US$ 2,4 bilhões em 2018.

“‘Os provedores de serviços estão perdendo receitas e perdendo clientes. O NFV veio para mudar essa realidade, permitindo que possam ser lançados novos serviços de uma forma fácil e rápida”, chamou a atenção Ilan  Tevet, diretor da RAD. A Juniper Research recomenda o uso de soluções como o NFV para que os provedores de serviço possam recuperar a competitividade que estão perdendo para seus concorrentes OTT (Over The Top). A consultoria calcula que mundialmente as operadoras deixarão de ganhar cerca de US$ 14 bilhões com serviços que serão prestados por OTTs.

De acordo com a Ovum, os aplicativos de mensagem social desenvolvidos por terceiros custaram às operadoras US$ 32,5 bilhões em receitas de SMS perdidas apenas em 2013 – a previsão é chegar a US$ 54 bilhões até 2016. Além disso, em 2018, os provedores VoIP OTT custarão à indústria de telecomunicações global US$ 63 bilhões em perdas de receita.

Diante desse quadro, o desafio que os fabricantes se impuseram é o de convencer seus clientes de que o NFV é uma solução que já está disponível “hoje”. “Nós fizemos a primeira demonstração pública no país da tecnologia D-NFV (virtualização de funções de rede distribuída)”, comentou Valter Teixeira, diretor geral da RAD, referindo-se ao que a empresa expos durante o Futurecom 2014, realizado na semana passada em São Paulo. A solução é baseada em FPGA e foi otimizada com uma CPU x86 para hospedar funções de redes virtualizadas. Ela é controlada pelo provedor de serviços e reside nas instalações do clientes e nos nós da rede.

Segundo Teixeira, a solução NFV da RAD está sendo utilizada em um projeto piloto na Algar Telecom. A RAD também enxerga como potencial mercado as utilities, principalmente as elétricas como a Eletronorte e Celpe com as quais já tem negócios e outras que estejam em um processo de migração das redes tradicionais TDM para o mundo IP. “A segurança da rede quando ela se torna IP é uma das grandes preocupações e a virtualização pode ter um papel importante na hora de ativar as novas aplicações e protegê-las”, observou o executivo. A RAD investiu US$ 30 milhões em um laboratório voltado para essa área.

Assim como fez com SDN, a HP criou há seis meses uma estrutura própria para coordenar todas as áreas envolvidas em SDN. “Estamos observando várias provas de conceito da tecnologia no mercado, inclusive no Brasil”, ressaltou Pinho. Mas ele acredita que a consolidação desse segmento ocorrerá em três a cinco anos. Também da mesma forma que a atuação na área das redes definidas por software, a HP aposta na virtualização com o conceito aberto e parcerias com várias empresas para o fortalecimento de um ecossistema NFV.

“Algumas funções do NFV já estão disponíveis e podem ser utilizados hoje, se os clientes quiserem”, reforçou o executivo. No caso da HP, isso diz respeito a soluções para dimensionar e gerenciar identidades dos assinantes por meio de múltiplas redes, ambiente de serviços multimídia e entrega de conteúdo virtual para qualquer prestador de serviços baseados em conteúdo.

“O NFV está muito ligado ao uso de rede as a service, assim como já se oferece o WiFi as a service”, comentou Fabio Hashimoto, gerente da PromonLogicalis. Ele comentou que o NFV está começando por funções seletas e o modelo que vai permitir montar redes inteiras virtualizadas ainda está por vir. “Na nossa percepção, esse tema está mais quente nos provedores de serviços que precisam ser mais dinâmicos”, observou.

Segundo Hashimoto, a Promon está estudando o assunto e acompanhando as discussões de padronização que estão sendo levadas, principalmente, na ETSI (European Telecommunications Standards Institute) e também pela Open Platform for NFV (OPNFV), que reforça uma solução aberta e não proprietária. A empresa também conversa com fabricantes e clientes para compreender como será o cronograma de implantação da solução. “”No plano de negócios do NFV a redução de custos e a velocidade para roll out ficam muito mais claras”, ressaltou.

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