Serpro e CEF adotam SDN para expansão das redes

Serpro e CEF adotam SDN para expansão das redes

A tecnologia SDN (Software-Defined Networking) começa a se tornar uma realidade no mercado brasileiro. E duas grandes corporações, o Serpro e a Caixa Econômica Federal, estão entre as empresas que vão liderar esse processo, com pilotos e implementações previstos para se tornarem operacionais ainda este ano. Projetos das plataformas e a virtualização de funções de rede (NFV) estiveram em debate no final de semana durante o 1º Sarau da Inovação, realizado no Paradise Resort Golf, em Mogi das Cruzes, São Paulo.

Marco Mazoni, presidente do Serpro, revelou que a escolha pela solução SDN vem sendo desenhada há alguns anos para garantir a evolução da infraestrutura de forma a que o órgão ganhe agilidade, flexibilidade, economia operacional e ainda permita trabalhar com multiplataformas, sem depender de um único fabricante. Essa iniciativa foi decorrente de um planejamento estratégico feito pelo órgão em 2012 para um cenário projetado para 2022, no qual as principais linhas estariam focadas em tecnologia de nuvem — hoje ele conta com cerca de 200 serviços na nuvem –, mobilidade e Big Data. O apoio da infraestrutura como retaguarda para essa transformação digital se tornou um ponto de grande relevância.

O Serpro começou a analisar as possibilidades do orquestrador Open Stack quando nem mesmo o Gartner o considerava totalmente estável. Com uma forte filosofia de trabalhar com códigos abertos, tem dois fornecedores em sua rede atualmente que operam com o protocolo Open Flow. Para Mazoni, trabalhar com protocolos abertos na evolução das redes é uma ação estratégica para quem quer avançar com independência. “Precisamos fazer investimentos grandes para nos mantermos autônomos”, salientou o executivo.

Redução de custos

Os problemas da CEF, com 80,2 milhões de clientes e presença em 5.565 municípios, não eram menos complexos e levaram, um certo momento, a uma nova estrutura de rede. Segundo o diretor de tecnologia, Roberto Zambon, para fugir dos preços praticados por provedores de telecomunicações, a instituição financeira optou por diversificar os acessos de sua rede, com acordos regionais com provedores, principalmente com concessionárias de energia elétrica. Atualmente, administra 15 contratos regionais com 2.500 acessos de 10 Mbps, conseguindo uma redução no custo de 80%. No Rio de Janeiro e em São Paulo opera também com redes sem fio de alta velocidade.

Para avançar na área de infraestrutura, a CEF iniciou um piloto de SDN com orquestrador OpenStack e solução VMware. A ideia é estender o piloto no segundo semestre e dar início a implementações neste e no próximo ano. Para Zambom, mais que a redução de custos que deverá vir com essa plataforma, o principal motivador para aderir à solução é conseguir ser mais flexível e ágil. “Há componentes importantes quando se trata desse tema, eles são agilidade, escalabilidade e, inevitavelmente, redução de custos. Mas esse último não é o principal ponto, apesar de importante”, afirmou.

“A redução do custo é decorrência”, completou Mazoni. E prevê que o SDN pode, inclusive, ajudar na geração de novas receitas. “Hoje, muitas oportunidades não são aproveitadas ou para não colocar em risco alguns ambientes ou porque o desenvolvimento de algumas soluções se torna tão caro que inviabiliza o projeto. Com as novas tecnologias, já é possível dar diferentes atendimentos, dependendo do tipo de serviço”, observou. Isso ganha relevância quando se tem, como o Serpro, 4.600 serviços no ar, atendendo a 70 clientes com características diversas.

A Locaweb é uma das empresas que acompanha com atenção o desenvolvimento do mercado de SDN. E já trabalha com o conceito de plataformas definidas por software, mas, por enquanto, se restringe ao storage. Com 250 mil clientes de varejos e com uma divisão de serviços corporativos que já representa 25% da receita, a empresa também trabalha focada em open source. Segundo Alexandre Cadaval, diretor de tecnologia, a empresa decidiu adotar uma arquitetura com grandes blocos de estrutura de rede que vão comportar grupos de clientes.

A pressão sobre capacidade na empresa também é imensa, o que exige muito da rede. “A ideia de trabalharmos com configuração por software é bem atraente, mas é preciso que essas tecnologias tenham garantia de estabilidade”, reforçou.

Agilidade e flexibilidade

Para Fabio Hashimoto, gerente de tecnologia da PromonLogicalis, tanto SDN quanto NFV, mais o serviço de orquestração, marcam uma nova era das redes, a EPN (Evolved Programmable Network). Em comum, as duas plataformas proporcionam agilidade para novos serviços inovativos, independência em relação aos vendors, interfaces abertas e padronizadas, mudanças dinâmicas das funções de networking e gerenciamento e orquestração centralizadas. Por uma questão de mercado, ele avalia que o mercado de NFV se desenvolverá mais rapidamente, mas considera que no SDN está o futuro das redes.

Quando compara as duas plataformas ao serviço de nuvem, o executivo também elenca alguns pontos em comum, como agilidade em serviços, flexibilidade operacional e otimização de custos. Para Hashimoto, uma grande pressão para que a evolução das redes siga esse caminho virá da Internet das Coisas, no qual bilhões de dispositivos estarão conectados e pressionando a inteligência das redes e serviços. “IoT vai crescer muito, mas já é uma realidade hoje”, ressaltou.

Pressão das OTTs

Para Paulo Cabestré, presidente da Trópico, no caso das operadoras de telecomunicações a pressão por um sistema evolutivo de redes que garanta mais agilidade na entrega de novos produtos virá também das OTTs (Over the Top). “SDN e NFV são movimentos transformadores, sem volta, e as tecnologias estão caminhando para a maturidade”, ressaltou. Ao lado do CPqD, a Trópico tem trabalhado para ampliar o portfolio de soluções nessa área.

Ele cita necessidades setoriais que favorecem esse cenário, como a do mercado de data centers, ao migrar máquina física para o ambiente virtual de forma ágil; a do mercado corporativo, ao oferecer conectividade diferenciada para usuários específicos; e das operadoras, tanto no core, ao utilizar melhor os recursos de enlaces, como no acesso, com a possibilidade de simplificar o equipamento na casa do assinante.

Leonardo Elias Mariote, gerente de pesquisa e desenvolvimento do CPqD,  vê o SDN como uma forte solução para o cenário atual de expansão da infraestrutura. E ele ressalta que apesar de a mobilidade apresentar expansão significativa, há também uma grande demanda por aumento da Internet fixa, o que vai exigir uma arquitetura mais eficiente, flexível e inteligente.

Para debater as duas tecnologias, o Sarau da Inovação reuniu executivos, presidentes de empresas, CIOs, CTOs e diretores de tecnologia. O evento, organizado pela Momento Editorial e pelo Inovação nas Empresas, contou com o apoio da PromonLogicalis e do CPqD.

Galeria de fotos e apresentações do Sarau da Inovação.

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